segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Terça Feira 27/01


Sai do quarto vestida a caráter. Sim estava pronta para ir ao maior encontro de manifestações sociais do mundo,Segundo o Ibase- Instituto de Análise Sociais e Econômicas que define o Fórum Social Mundial é o grande momento de reunião de cidadania planetária, num momento em que a globalização e a crise financeira mundial revelam fraqueza e a vulnerabilidade das nações em lidar com o problema. “ Nosso Grande desafio é reinventar o mundo. Tinha uma agenda para cumprir, íamos para a abertura do Fórum Social Mundial, nesse momento senti que a representação da religião de Matriz Africana estava sob minha responsabilidade. Dirigi-me até as dependências externas da casa para procurar um lugar para meditar, quando me deparo com a exuberância da mata atlântica exposta diante de mim, a diversidade da floreta, nunca tinha tido oportunidade de verificar as diversas qualidades de palmeiras , tinha uma de cada tipo e tamanho diferentes, isso é a Amazônica. A mata reforçou o convite a reflexão e a purificação do meu pensamento. Em cada contato que fazia com esse universo novo, pedia ago = licença para um deus vivo, sentia o axé dos orixás das matas e fluido dos caboclos, preto. O sentimento que me atacava era que eu precisava pensar no trabalho que ia se desenrolar durante o dia e a ligação daquele contato com a natureza com o conhecimento de cada orixá que carrego dentro de mim e o prazer de estar vivendo a situação do descobrir o novo sentir novas experiências uma mistura de concentração descontração, talvez não seja possível descrever passível apenas de ser vivido e jamais de ser entendido em sua largueza e profundidade.

Fiquei perplexa, com olhar mergulhado na mata virgem,quando novamente fui surpreendida ao ouvir a fala do pássaro chamado Lora, até então conhecia o símbolo da cidade, através de fotos, calendários e filmes, era diferente ouvir a voz do símbolo vivo da cidade. Pensei isso não é ficção é tudo real, eu estou em contato com o símbolo vivo da cidade.Ao tentar me aproximar da Lora, ela ficou toda ouriçada, tentou me picar. A Eni disse que ela não gosta que mulheres toquem nela.
Fiquei parada contemplando o desconhecido. Foi quando fiquei sabendo que tinha Pau Brasil, fui tirar fotos. Lembre-me da 2ª série do ensino fundamental quando ouvi pela primeira vez a palavra Pau Brasil, agora estava tendo a oportunidade tocar na árvore.

(UFRA) Universidade Federal Rural da Amazônia eram 11horas, logo fui solicitada para conceder uma entrevista para a conceituada TV Marajoara, afiliada da rede brasil fui entrevistada pela jornalista Leila Negrão.
Mais tarde dei entrevista ao estudante de geografia Luiz Henrique Baglini que estuda sobre África na PUC / São Paulo.
ASCOM- Assessoria de Comunicação da UFRA as Jornalistas Nilza Magno e Roberta Muniz, me entrevistaram.

As pessoas me aclamavam para tirar fotos, existia uma vacância do visual típico da mãe de santo , na figura de mulher negra, toda vestida na cor branca, turbante grande na cabeça, saia rodada e colar branco no pescoço, repercutiu em manifestações de carinho e respeito com a figura que representava a religião de tradição de Matriz Africana.

Estava muito quente e dentro da universidade o espaço que íamos ficar era muito longe nesse dia só podia entrar carros que estava a serviço, foram esses carros que ofereciam carona, como gesto de solidariedade, por eu estar paramentada frente ao calor. Outra novidade para mim, todo dia chove, e , muito, depois da chuva fica extremamente quente.

Enquanto chovia fomos almoçar, não me adaptei com o sabor dos alimentos , muita farinha, ervas que eu não conhecia, peixes etc...
A chuva muito forte impediu-nos de participarmos da marcha, que era em outro localiza -se de passagem , bem distante de onde nós estávamos.
Conversei com as jornalistas do setor de comunicação da UFRA, concedi uma entrevista e tiraram algumas fotos.

Fui verificar a caixa de email . Primeira ligação telefônica para casa, me tranqüilizou, todos passam bem.
A condução nos conduziu até o sitio, nesse dia tive a oportunidade de conhecer uma pessoa muito especial, Felipe filho da Eni foi ao sitio para me conhecer, conversamos muito, ele estava se preparando para a formatura de Ciências Ambientais, além de apaixonado é iniciado na religião, foram dois temas suficientes para levarmos a conversa até 2 horas da madrugada.

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